De que forma a biodiversidade se relaciona com a tua alimentação? A biodiversidade é a variedade de espécies biológicas existentes no nosso ecossistema. Para que percebas a sua importância: sem biodiversidade não existe vida na terra! E, no entanto, aquilo que nos permite viver é o que está a ser destruído pelas ações e decisões humanas. É, assim, tempo de agir! É momento de repensar as nossas atitudes, decisões e ações diárias. 

Preferir os produtos orgânicos, reduzir o consumo animal, ler os rótulos para perceber a origem do produto e, acima de tudo, perceber o impacto que estes fatores têm no planeta são algumas ações que podes adotar para proteger a biodiversidade. Os recursos necessários para produzir determinado alimento, compensam a tua vida e as tantas emissões de co2 emitidas para a atmosfera?

Neste artigo vamos dar-te 6 dicas para ajudares a preservação da biodiversidade através da tua alimentação.

1. Consome produtos biológicos, locais e sazonais para preservar a biodiversidade

Consumir produtos orgânicos ajuda a preservar a biodiversidade. Na agricultura tradicional os produtores não utilizam pesticidas, nem tantos químicos para promover o crescimento dos alimentos. Segundo o Gabinete Francês para a Biodiversidade, existem mais de 30% de espécies produzidas em cativeiro, como cogumelos, insetos polinizadores, aves, entre outros. 

proteger a biodiversidade através da alimentação

Para preservar a biodiversidade, deves então optar pelo consumo local. Desta forma, além da pegada ecológica ser menor por não ser necessária a utilização de transporte para os alimentos, também as emissões de gases de efeito de estufa são menores. Ao mesmo tempo, os produtores sentem-se incentivados a produzir alimentos da região/típicos da localidade por saberem que a procura vai corresponder à oferta.

Por fim, deves perceber a importância de consumir da época! Por um lado, evitas que as frutas e legumes viagem 3 ou mais vezes até chegar ao destino de venda e, por outro lado, porque estes produtos são menos processados e mais naturais por crescerem na sua época do ano ideal. Através do consumo de frutas e legumes da época respeitas o ciclo natural dos alimentos e, portanto, a biodiversidade

2. Redução do consumo animal

consome menos carne para proteger a biodiversidade

Não é nenhum segredo que a melhor forma de reduzir a pegada de carbono, é reduzir o consumo animal. Esta é uma das melhores atitudes que podemos ter para ajudar na preservação da biodiversidade.

Para começar, o cultivo de soja e de origem animal é, em geral, a maior causa do desmatamento no mundo. Este desmatamento tem consequências irreversíveis, como o desaparecimento dos habitats naturais de uma grande parte da biodiversidade. Somando a isto, são utilizados fitossanitários em grandes quantidades para garantir um rendimento cada vez maior nas produções.

Sob o mesmo ponto de vista, podemos também abordar o setor da pecuária, que tem uma boa dose de culpa pela perda de biodiversidade marinha. Nos viveiros, os excrementos dos animais contribuem para a contaminação das águas e dos próprios peixes. Quem sai prejudicado? Os animais marinhos, portanto. 

3. Reduz as embalagens para preservar a biodiversidade

Não é nada de novo: sabemos que o plástico não é amigo do ambiente! Mesmo hoje, com cada vez mais opções para substituir o plástico e cada vez mais informação sobre a reciclagem, o uso de plástico continua a ser uma opção tanto na casa dos portugueses, bem como nos supermercados e outros comércios. O plástico é um material que demora imenso tempo para de desintegrar. Depois de usado, liberta micro-plásticos que terminam nos oceanos onde são, enfim, ingeridos pelos animais marinhos. 

Reduz o uso de embalagens de plástico

A cada ano, 8 milhões de toneladas de plástico vão parar ao oceano! Isto é um verdadeiro desastre para a biodiversidade marinha! 😫 Os peixes, as tartarugas e diversos mamíferos não só ingerem o plástico, por confundirem com alimento, bem como são feridos e sufocados por ele.  

Há milhares de anos que isto acontece e a tendência é virar um catástrofe natural se não pararmos tudo isto. Ano após ano, microplásticos contaminam não só a água, como também o ar e a terra!

Para ajudares a preservar a biodiversidade, reduz então ao máximo o teu uso de plástico e/ou opta por embalagens que podes reutilizar vezes sem conta! 

4. Lê os rótulos dos produtos 

O que está por detrás do teu alimento preferido? Apesar dos slogans e rótulos atrativos, não te enganes à primeira leitura, sem perceberes a fundo a origem do alimento. Uma boa leitura nos rótulos e uma boa pesquisa de determinados termos, vai então ajudar-te a evitar algumas armadilhas! Certas substâncias contidas nos produtos são uma verdadeira ameaça à biodiversidade e é muito importante perceber quais são. Além disto, não te podes esquecer da tua saúde, quanto mais orgânicos e biológicos, melhor 🙂

A desflorestação afeta a biodiversidade

Vamos usar como exemplo o óleo de palma. É barato e podes encontrá-lo em diversos produtos. Infelizmente, para satisfazer toda a (gigante) procura, os produtores recorrem ao desmatamento massivo para que, dessa forma, possam obter um único produto de uma só vez. Uma das grandes consequências desta atitude é, portanto, o desaparecimento de espécies em perigo de extinção.

5. Diversifica o teu consumo de frutos do mar

A nossa 5ª dica pode não agradar aos apaixonados por frutos do mar. O facto de consumirmos muito peixe bem como serem do mesmo tipo, não é benéfico para a biodiversidade. 

Hoje em dia ⅓ dos peixes do mundo são pescados em massa. E, para as espécies selvagens que se reproduzem naturalmente, a nossa procura é demasiado rápida para a velocidade com que se reproduzem. As consequências disto? Não existe tempo para a criação natural dos peixes tanto quanto devia. Portanto, um desrespeito ao ciclo de vida dos animais. 

Uma das formas para preservar a biodiversidade marinha, é teres o cuidado em diversificar o consumo de animais do mar. Além disso, não estás um pouco farto/a dos típicos peixes como o salmão, o atum e o bacalhau? 

Para te orientares melhor neste aspeto, segue o calendário sazonal dos produtos do mar, tal e qual como acontece com as frutas e legumes sazonais. Não devemos comer qualquer tipo de peixe a qualquer altura do ano, mas sim respeitar o ciclo natural das espécies, logo, da biodiversidade. 

Diversifica o consumo de animais do mar

Presta atenção ao tipo de pesca!

Sob o mesmo ponto de vista, para protegeres a biodiversidade marinha, deves também prestar atenção ao tipo de pesca praticada. A pesca foi transformada numa indústria aterrorizante para os animais. Todos os dias são lançadas redes enormes de forma a pescar a maior quantidade de peixe de uma só vez. Infelizmente, como resultado, pescam mais peixe do que o necessário e, a grande parte dos peixes, nem sequer chegam aos mercados e/ou supermercados para serem vendidos. Morrem em vão por não corresponderem a certos padrões impostos, como o peso, tamanho, aspeto, etc. 

As redes de pesca são, agora, tão eficazes que raspam o fundo do mar, destruindo corais e todos os ecossistemas que ali existem. Capturam igualmente espécies em vias de extinção, como golfinhos, tubarões, etc. Isto é um grande desrespeito à biodiversidade marinha! E, acreditem, afeta todo o funcionamento do ecossistema. 

6. Salva produtos não vendidos! 

Salva excedentes do desperdício

 Os produtos não vendidos foram criados, cultivados, processados e transportados. Com eles, foram gastos imensos recursos e, obviamente, emitidos gases de efeito de estufa!  

Tendo em conta as suas perfeitas condições de consumo, seria muito pior desperdiçá-los tendo em conta que, de certa forma, já afetaram a biodiversidade.

Ao comprares produtos não vendidos, acima de tudo, ajudas a dar um descanso à biodiversidade. Ajudas a evitar a produção de mais quantidade desses alimentos. À primeira vista, um tomate salvo do desperdício, não é o mesmo que um tomate acabado de chegar ao mercado, mas é igualmente saboroso e perfeito para mil e uma receitas.

Ajudares a preservar a biodiversidade é, em conclusão, optares por uma alimentação com produtos orgânicos, locais e sazonais, bem como reduzires o consumo de carne, embalagens de plástico, fazeres uma boa leitura dos rótulos, variares o consumo de peixe e, por fim, economizar com a compra de produtos não vendidos e os excedentes de muitos negócios!

Já lutas contra o desperdício alimentar?
Salva excedentes de vários comércios!